
retalhos coloridos
alfinete que me espeta os dedos
faz sangrar a criatividade
respingando na alma (...)
soma de pequenos amores.
(Jacques Manz)
"Era uma vez uma idosa que costumava meditar às margens do Ganges. Certa manhã, ao encerrar sua meditação, ela avistou um escorpião flutuando indefeso na forte correnteza. À medida que era arrastado para mais perto, prendeu-se nas raízes que se ramificavam para dentro do rio. O escorpião lutava freneticamente para se libertar, mas cada vez ficava mais emaranhado. Imediatamente a senhora aproximou-se do escorpião que se afogava e este, assim que ela o tocou, cravou-lhe seu ferrão. A mulher afastou a mão, mas, após ter recobrado o equilíbrio, tentou de novo salvar a criatura. Todas as vezes que ela tentava, porém, o ferrão na cauda do animal a atingia com tamanha gravidade que suas mãos sangravam e seu rosto distorcia-se de dor. Um transeunte que via a idosa lutando com o escorpião gritou para ela:
- Qual o seu problema, sua tola? Quer se matar tentando salvar essa coisa feia?
Olhando nos olhos do estranho, ela retrucou:
- Só porque é da natureza do escorpião ferroar, por que eu deveria negar minha própria natureza de salvá-lo?"
(História sufi narrada pela freira beneditina Joan Chittister - retirada do livro A Linguagem de Deus - Francis S. Collins)