segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011


A efemeridade das relações me cansa, a verdade é que eu sempre quis um amor démodé.

Thâmile Vidiz

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A menina, a gaiola e a bicicleta (Rubem Alves)

Olhem para o menino.
Ele está feliz.
Ganhou uma bicicleta.
Era seu maior desejo.
É a primeira vez que monta numa.
Ainda não sabe andar direito.
Mas não importa.
Uma vez tem que ser a primeira.
O menino ama a menina.
Convidou-a para passear com ele de bicicleta.
Ela aceitou, com uma condição: queria levar consigo o seu pássaro, dentro de uma gaiola enorme.
O menino preferia que ela fosse sozinha com ele.
Ficou triste. Mas concordou.
A gaiola era grande demais.
Não cabia na bicicleta.
A menina teve que de fazer o passeio olhando para trás.
Quem carrega gaiolas, olha sempre para trás.
O menino olhava para a frente.
Olhando para trás, a menina não podia ver as mesmas coisas que o menino via.
A bicicleta ficou com dó do pássaro. Pensou que morreria de tristeza se alguém a prendesse numa gaiola.
Resolveu ajudá-lo.
Aproveitando-se do fato de que o menino ainda não sabia andar direito, virou o guidão, endureceu o freio e fio bater direto numa árvore.
Tudo se esparramou pelo chão.
O menino caiu.
A menina caiu.
A gaiola caiu.
O que estava grudado desgrudou.
O que estava amarrado desamarrou.
O que estava desembrulhado desembrulhou.
A porta da gaiola se abriu e o pássaro saiu.
Saiu e parou. Não voou.
Queria ter certeza de que a menina e o menino estavam bem.
Cantou, então, para eles, o canto da despedida e voou.
A menina ficou triste porque o pássaro se foi.
Mas era preciso consertar a bicicleta e continuar o passeio.
Ela e o menino trabalharam muito e a bicicleta ficou como nova.
Mas nem a menina, nem o menino sabiam que, quando uma gaiola é aberta,
as borboletas saem dos casulos que os prendem e se põe a voar.
Borboletas, milhares de borboletas,
de todas as formas, cores e tamanhos começaram a seguir o menino, a menina e a bicicleta.
Eles tinham estado dormindo na árvore e acordaram com o canto do pássaro.
Agora o menino, a menina, a bicicleta pareciam um cometa, com uma longa cauda colorida de borboletas.
É isso que é o arco íris.
Sem a gaiola para atrapalhar, a menina abraçou o menino.
Um menino abraçado é melhor que um pássaro engaiolado.
Abraçados, os dois olhavam para a frente.
Conversavam sobre as coisas bonitas que viam.
O menino ficou feliz.
A menina ficou feliz.
A bicicleta ficou feliz.
Quanto ao pássaro, foi transformado num anjo, com a missão de proteger o menino, a menina e a bicicleta,
guardando os seus caminhos, os desvios, as trilhas e até mesmo as forquilhas onde os fantasmas fazem amor.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011























Agora costurando amores
retalhos coloridos
alfinete que me espeta os dedos
faz sangrar a criatividade
respingando na alma (...)
aquecida pelas cores da colcha de retalhos
soma de pequenos amores.

(Jacques Manz)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Hoje quero pouco de mim
Concretizar fatos, atualizar atos
Sem cobranças e objeções
Com a naturalidade e liberdade de uma
Alma livre que se permite ao erro,
Objetivando acertos...

Thâmile Vidiz

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

"O dedo invisível do tempo
Modelando nosso destino
No barro da vida é um velho
Girando, virando menino
Sonhando sons, criando asas
E as asas pisando o céu
Entrando e saindo das casas
Brincando qual pipa de papel
Driblando dragões e cometas
E contando histórias pra lua
Brincando de roda com os planetas
Bem ali, na porta da rua
E a tarde fugindo sem pressa
Na velha cidade da luz
Presente no sol que atravessa
Futura na estrela que conduz

O dedo invisível do tempo."


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

"Era uma vez uma idosa que costumava meditar às margens do Ganges. Certa manhã, ao encerrar sua meditação, ela avistou um escorpião flutuando indefeso na forte correnteza. À medida que era arrastado para mais perto, prendeu-se nas raízes que se ramificavam para dentro do rio. O escorpião lutava freneticamente para se libertar, mas cada vez ficava mais emaranhado. Imediatamente a senhora aproximou-se do escorpião que se afogava e este, assim que ela o tocou, cravou-lhe seu ferrão. A mulher afastou a mão, mas, após ter recobrado o equilíbrio, tentou de novo salvar a criatura. Todas as vezes que ela tentava, porém, o ferrão na cauda do animal a atingia com tamanha gravidade que suas mãos sangravam e seu rosto distorcia-se de dor. Um transeunte que via a idosa lutando com o escorpião gritou para ela:

- Qual o seu problema, sua tola? Quer se matar tentando salvar essa coisa feia?

Olhando nos olhos do estranho, ela retrucou:

- Só porque é da natureza do escorpião ferroar, por que eu deveria negar minha própria natureza de salvá-lo?"


(História sufi narrada pela freira beneditina Joan Chittister - retirada do livro A Linguagem de Deus - Francis S. Collins)

sábado, 18 de dezembro de 2010

"Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar. (...) Meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência, pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência."

Martha Medeiros



sexta-feira, 3 de dezembro de 2010



"Ela sozinha é, porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o para vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa!" Foi ela que vi "crescer"...


P.S.: Pequeno Príncipe, o primeiro livro que li, lembro que ganhei do meu avô quando bem pequena. Um livro cheio de lições de vida que preciso retomar... aprender, quem sabe?
Meu avô, o velhinho que me ensinou o lado arte da vida! Amo você meu grande, de onde eu estiver, onde o senhor estiver. "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."


sábado, 27 de novembro de 2010



"Você pode ir embora e nunca mais ser a mesma.
Você pode voltar e nada ser como antes.
Você pode até ficar, pra que nada mude, mas aí é você que não vai se conformar com isso.
Você pode sofrer por perder alguém.
Você pode até lembrar com carinho ou orgulho de algum momento importante na sua vida: formatura, casamento, aprovação no vestibular ou a festa mais linda que já tenha ido, mas o que vai te fazer falta mesmo, o que vai doer bem fundo, é a saudade dos momentos simples:
Da sua mãe te chamando pra acordar,
Do seu pai te levando pela mão,
Dos desenhos animados com seu irmão,
Do caminho pra casa com os amigos e a diversão natural
Do cheiro que você sentia naquele abraço,
Da hora certinha em que ele sempre aparecia pra te ver,
E como ele te olhava com aquela cara de coitado pra te derreter.
De qualquer forma, não esqueça das seguintes verdades:
Não faça nada que não te deixe em paz consigo mesma;
Cuidado com o que anda desabafando;
Conte até três (tá certo, se precisar, conte mais);
Antes só do que muito acompanhado;
Esperar não significa inércia, muito menos desinteresse;
Renunciar não quer dizer que não ame;
Abrir mão não quer dizer que não queira;
O tempo ensina, mas não cura."

(martha medeiros)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Palavra do dia:

SAUDADE

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

"Tudo tão vago... Sei que havia um rio...

Um choro aflito... Alguém cantou, no entanto...

E ao monótono embalo do acalanto

O choro pouco a pouco se extinguiu...

O Menino dormia... Mas o canto

Natural como as águas prosseguiu...

E ia purificando como um rio

Meu coração que enegrecera tanto...

E era a voz que eu ouvi em pequenino...

E era Maria, junto à correnteza,

Lavando as roupas de Jesus Menino...

Eras tu... que ao me ver neste abandono,

Daí do Céu cantavas com certeza

Para embalar inda uma vez meu sono!..." (Quintana...)




terça-feira, 16 de novembro de 2010




"So, carry on,
There's a meaning to life
Which someday we may find...
Carry on..."

"Así que, adelante,
Hay un sentido a la vida
Que algún día podemos encontrar ...
Llevar a cabo..."

"Então, siga em frente,
Há um sentido para a vida
Que algum dia poderemos descobrir ...
Siga em frente..."


A você: um carinhoso obrigada...


sábado, 9 de outubro de 2010




"Navegar é preciso. Viver não é preciso."

quinta-feira, 23 de setembro de 2010


Dedico esta primavera à Dona "Rosa" que partiu na madrugada de ontem em busca de "um caminho mais feliz."

"Mais feliz
Pois a rosa que se esconde
No cabelo mais bonito, é um grito
Quase um mito, uma prova de amor."

quinta-feira, 16 de setembro de 2010



Surpresas da vida...


domingo, 12 de setembro de 2010



Vamos cirandar?
Que tal cantar?
Ei? Levanta daí...

Vem criar seu mundo aqui pertinho de mim!

sábado, 6 de março de 2010


"Take me to the magic of the moment/On a glory night/Where the children of tomorrow dream away/In the wind of change..." (Scorpions Wind of Change)


Trilha para um dia bom...



Em meio aos sonhos da infância, espero não
envelhecer rápido demais.
Aproveitemos! Enquanto experimentamos a
aventura de ser grande...


Thâmile Vidiz

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O trem da vida

Deixemos os cenários sombrios sobre o futuro do Planeta. Vamos a estórias que falam do destino final da vida.

Um trem corre veloz para o seu destino. Corta os campos como uma seta. Fura as montanhas. Passa os rios. Desliza como um fio em movimento.

Lá dentro se desenrola todo o drama humano. Gente de todas as gentes. Gente que conversa. Gente que cala. Gente que trabalha em seu computador. Gente de negócios, preocupada. Gente que contempla serenamente a paisagem. Gente que cometeu crimes. Gente que é boa gente. Gente que pensa mal de todo mundo. Gente solar que se alegra com o mínimo de luz que encontra em cada pessoa. Gente que adora viajar de trem. Gente que por razões ecológicas é contra o trem. Gente que errou de trem. Gente que não se questiona; sabe estar no rumo certo e a que horas chega em sua cidade. Gente ansiosa que corre para os primeiros vagões no afã de chegar antes que os outros. Gente estressada que quer retardar o mais possível a chegada e se coloca nos últimos vagões. E absurdamente gente que pretende fugir do trem andando na direção oposta a ele.

E o trem impassível segue o seu destino, traçado pelos trilhos. Despreocupadamente carrega a todos. A ninguém se furta. Serve a todos e a todos propicia uma viagem que pode ser esplendorosa e feliz. E garante deixá-los todos no destino inscrito em sua rota.

Neste trem, como na vida, todos viajam gratuitamente. Uma vez em movimento, não há como fugir, descer ou sair. Pode se enfurecer ou se alegrar. Nem por isso o trem deixa de correr para o seu destino predeterminado e carregar a todos cortêsmente.

A graça de Deus - sua misericórdia, sua bondade e seu amor - é assim como um trem. O destino da viagem é Deus. O caminho é também Deus porque o caminho não é outra coisa que o destino se realizando passo a passo, metro a metro.

A graça carrega a todos, os que são a favor e os que são contra. Com a negação, o trem não se modifica. Também não a graça de Deus. Só o ser humano se modifica. Pode estragar sua viagem. Mas não deixa de estar dentro do trem.

Acolher o trem, enturmar-se com os companheiros de destino é já antecipar a festa da chegada. Viajar é já estar chegando em casa. A graça é "a glória no exílio, glória que é a graça na pátria" como diziam os antigos teólogos.

Rechaçar o trem, correr ilusioriamente contra sua direção, de nada adianta. O trem suporta e carrega também a estes rebeldes, com toda a paciência, porque Deus se dá indistintamente a bons e a maus, a justos e a injustos.

A vida como a graça é generosa para com todos. De tempos em tempos ela nos faz cair na realidade. Nesse momento - e sempre há o momento propício para cada pessoa humana - o recalcitrante percebe então que é carregado gentil e gratuitamente. De nada adianta sua resistência e revolta. O mais razoável é escutar o chamado de sua natureza e deixar-se seduzir pela oportunidade de uma viagem feliz.

Nesse momento desfaz-se o inferno interior e irrompe gloriosamente o céu, a face humanitária de Deus. Descobre a gratuidade do trem, de todas as coisas e a presença de Deus. Há um destino bom para todos cada qual na sua medida.

E tu, leitor e leitora, como viajas?

Leonardo Boff

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O impossível do amor está na conclusão dos fatos,
Talvez sempre seremos este vazio que nos separa.

E...sempre sorriremos dos vãos,
e da nossa impossibilidade de dar
ao amor a chance de nascer.
É como amanhecer e sentir que falta alguma coisa,
é como dormir imaginando alguém chegar e lhe bater à porta.

Difícil é olhar aquela praça e saber que
as (im)possibilidades não terminaram.
Estranho e olhar nos teus olhos e pedir que...
Volte...

Esses doloridos "ses" me mantém
e paradoxalmente mentem
tornando possíveis esperanças,
fantasias, rimas e sonhos.

São tantos ensaios, desculpas...culpas!
Que tornam unicamente o que se sente...
O que não passará com os quilômetros, anos
é essa tal impossibilidade de amar!